Filme documentário traça histórico do casamento homoafetivo no país

O amor de sua vida, Fabia Fuzeti, já vivera uma união estável de 17 anos e não fazia questão das formalidades, mas, pela namorada, topou a “maratona” de cartório e festa. E ambas se deram conta de que nunca tinham participado de uma cerimônia de casamento homoafetivo. “Isso fez com que a gente se questionasse: por que casais homoafetivos não estão se casando com a frequência que a gente gostaria, agora que podemos?”

O casal documentou a própria união como proposta de reflexão. No filme Vestidas de Noiva, Fabia e Gabi registram a organização da celebração, contam outras histórias de amor e entrevistam ativistas LGBT, advogados e políticos que carregam essa bandeira. “O mais relevante é dar visibilidade aos casamentos homoafetivos. É uma maneira de desmistificar, quebrar tabus, mostrar que é um casamento como qualquer outro e que é importante, sim, que casais homossexuais se apropriem de seus direitos”, diz Gabi.

O comerciante Luiz André Moresi e seu marido, o cabelereiro Sergio Kauffmam Moresi, relembram o dia em que decidiram transformar a união estável em casamento civil, o primeiro no país, em junho de 2011, em Jacareí (SP). Quando recebeu o documento com o pedido do casal, o procurador de Justiça José Luiz Bednarski foi totalmente favorável. “Existe uma igualdade de direito entre todas as pessoas, de acordo com a Constituição. Então, por que umas pessoas podem se casar e outras não?”, questiona. “Eu acho que as pessoas daqui a 100, 200 anos, quando descobrirem que antigamente os casais do mesmo sexo não tinham os mesmos direitos civis que os demais, vão achar um absurdo.”

O longa explica a diferença entre união estável e casamento civil e equilibra relatos pessoais com informação legal. “O trabalho celebra conquistas já alcançadas e aponta para o que ainda precisa ser feito”, declara Fabia.

Um dos pontos altos do filme é quando as diretoras vão ao Rio de Janeiro acompanhar a 5ª Cerimônia Coletiva de Casamento Homoafetivo, que reuniu 160 casais. “Para a gente, é a afirmação do que é ser família. Eu sou um cidadão, pago impostos e respondo ao mesmo código civil que todo mundo. Meu direito é igual ao de todos”, diz Jonatan Lopes, um dos entrevistados.

“O filme é otimista, é romântico, é feliz. Queremos que os espectadores saiam da sala com a certeza de que o preconceito fere pessoas que só querem ser felizes e amar, o preconceito deve ser combatido”, declara Gabi. “Achamos importante que pais, famílias que tenham membros homossexuais assistam ao filme e entendam que essas pessoas devem ser respeitadas e apoiadas por eles.”

Com 50 minutos de duração, o documentário estreou em meados de novembro em circuito alternativo. E será apresentado gratuitamente em instituições, universidades, organizações não-governamentais, cineclubes. A programação pode ser conferida no site www.vestidasdenoiva.com.br/agenda.