Federação Mexicana inicia campanha para erradicar o grito de “puto” dos jogos da seleção

Gritar “puto”, xingamento usado pela torcida mexicana no momento em que o goleiro adversário está cobrando tiro de meta, foi muito comentado durante a Copa do Mundo de 2014, muitas vezes de forma até elogiosa. Mas se trata de um termo homofóbico, com o qual a comunidade LGBT do país latino tem sérios problemas, e que foi adaptado para “bicha” nas arquibancadas brasileiras. E, finalmente, a federação mexicana se mexeu para tentar erradicá-lo dos jogos da seleção.

Isso aconteceu depois que – também finalmente – a Fifa decidiu impor uma multa a cinco países em cujos jogos houve gritos discriminatórios na última rodada de novembro. Um deles foi o México, obrigado a desembolsar R$ 75 mil. Foi um giro de 180 graus na posição da entidade máxima do futebol, que durante a Copa do Mundo de 2014 investigou essa mesma atitude da torcida mexicana e concluiu que não havia nenhum problema com ela.

Por uma genuína vontade de fazer o bem, ou para evitar outras multas, a federação mexicana gravou um vídeo, que eu consigo descrever apenas como fofinho, com os principais jogadores da seleção pedindo respeito a todos os indivíduos, às diferenças e contra a discriminação nos estádios. A campanha chama-se “Abraçados pelo futebol” e tem um abaixo assinado on-line ao qual você pode aderir. Você será um dos primeiros porque, até agora, só 144 pessoas são “parte desse movimento”.

Ao aderir, você se compromete com três passos: aceitar todos sem que as diferenças sejam uma barreira entre vocês; não depreciar ninguém por motivos raciais, de gênero, religiosos, políticos ou de nenhuma outra espécie, e não ofender ninguém pelo seu aspecto, origem, estado ou opinião; e dirigir-se à outra pessoa sempre com respeito, independente de divergentes pontos de vista, e evitar qualquer incitação ou manifestação de violência. Entre outras palavras, basta ser uma pessoa civilizada que fica tudo bem.

A campanha da federação mexicana é louvável, independente da motivação, e torcemos para que ela dê certo. Até porque teríamos um bom precedente para aplicar no Brasil e tentar acabar também com os gritos de “bicha” que cada vez mais estão presentes nos nossos estádios.