França: Corte decide que xingar cabeleireiro de ‘bicha’ não é homofóbico

Justiça alega que ‘salões de beleza regularmente empregam pessoas gays’

Um tribunal de Paris determinou que chamar um cabeleireiro de “bicha” não é homofóbico, “porque salões de beleza regularmente empregam pessoas gays”. A controversa decisão foi tomada em um processo movido por um funcionário que foi demitido por não ter ido ao trabalho por estar doente, informou a BBC.

Ao ser demitido, o funcionário recebeu uma mensagem de texto acidentalmente enviada a ele pelo ex-patrão, que dizia: “Eu não vou mantê-lo. Eu não tenho um bom pressentimento sobre esse cara. Ele é uma bicha suja”. Com isso em mãos, o cabeleireiro entrou com um processo por demissão injusta. Entretanto, o tribunal não considerou motivação homofóbica para a demissão.

“Se nós colocarmos em contexto com o campo dos cabeleireiros, o conselho considera que o termo “bicha” usado pelo gerente não pode ser considerado um insulto homofóbico, porque salões de beleza regularmente empregam pessoas gays, notavelmente em salões femininos, e isso não representa um problema”, decidiu a corte.

A ministra do Trabalho, Myriam el Khomri, classificou o julgamento como “chocante”. Pelas redes sociais, internautas consideraram a decisão escandalosa. Um grupo ativista alertou que a decisão banaliza a homofobia.

“Você é um cabeleireiro, você é chamado de bicha, e isso é OK porque cabeleireiros são muitas vezes gays. Obrigado, tribunal”, criticou um internauta. A expectativa é que o funcionário apele da decisão.