Parada gay de Paris fará homenagem às vítimas do massacre de Orlando

Três semanas após o atentado contra uma boate gay em Orlando, que deixou 49 mortos, a Parada do Orgulho Gay de Paris vai homenagear neste sábado (2) as vítimas do ataque.

“Haverá duas homenagens, uma antes da saída da parada, com um minuto de silência, e outra no palco montado na praça da Bastille, local de chegada, que ainda não foi definida”, afirmou em entrevista à RFI Clémence Zamora-Cruz, porta voz da Inter-LGBT, organizadora do evento.

Segundo ela, o massacre de Orlando demonstra que a homofobia continua a matar, em todo o planeta. “Vamos continuar a ocupar com orgulho o espaço público e levantaremos sempre a bandeira da luta pela igualdade e contra a violência e a discriminação por orientação sexual.”

O tema da parada deste ano são os direitos das pessoas transexuais, com o lema “Esterilizações forçadas, agressões, precariedade: stop!”.

“Queremos denunciar a falta de ação da classe política diante dos graves atentados aos seus direitos fundamentais. Estamos mobilizados para pedir uma lei simplificando o estado civil dos transexuais. Essa lei deve seguir a resolução 2048 do Conselho Europeu, que pede que os estados-membros apliquem um procedimento rápido, transparente, acessível e baseado na auto-afirmação”, acrescenta Clémence, ela mesma transexual.

Movimento gay indignado com o governo

A porta-voz afirma que o movimento gay francês está indignado que o governo e os legisladores permitam, na ausência de uma lei, que as pessoas trans sejam submetidas a esteralizações para poder mudar o estado civil e obter os papeis de acordo com seu gênero. “A falta de documentos os expõe à violência e à discriminação. Nenhuma medida para lutar contra a transfobia foi tomada. Pelo contrário, as iniciativas para sensibilizar a população quanto às questões de gênero, como o ABCD da igualdade, foram abandonadas.”

Para Clémence, o governo apenas é coerente “na sua falta de vontade política pelos direitos e pela liberdade das pessoas LGBT”. “Ele usa o velho mecanismo de promessas e recuos. Atualmente na França, a reprodução assistida não está aberta para todas as mulheres, e a filiação ainda é impossível de estabelecer desde o nascimento para as famílias com pais homossexuais. Nós denunciamos essa hierarquização das orientações sexuais, que discrimina as lésbica e as priva do direito de dispor dos seus corpos. A impossibilidade de estabelecer a filiação desde o nascimento coloca as famílias gays em uma situação de precariedade inaceitável: a mãe que não concebeu é obrigada a adotar seu próprio filho”, diz.

De Montparnasse à praça da Bastille

A parada terá um novo trajeto este ano. Ela sairá às 14h da praça 18 Juin 1940, em Montparnasse, e passará por Port Royal, Luxembourg, Cluny-La Sorbonne e a ponte de Sully-Morland para chegar, depois de 4,7 km de desfile, à praça da Bastille. São cerca de 40 carros alegóricos, representando diferentes coletivos e associações. No final da parada, haverá uma grande show com artistas renomados, de 16h às 22h.

A mestre de cerimônia será Shirley Souagnon. O primeiro a se apresentar é o grupo 3SomeSisters, que mistura electro tribal e pop mutante, com um estilo visual “glam”. Depois será a vez da DJ Betty, que tocará um set especial para a performance de “voguing” do grupo House of Mizrahi. O “voguing”, dança que imita poses de artistas de cinema e modelos, nasceu nos anos 1960 na comunidade gay do Harlem, em Nova York, e explodiu em popularidade nos anos 1990 com o hit “Vogue”, de Madonna.

Em seguida assumem as pick-ups os DJs Maxime Iko, com um set atmosférico e pulsante, e Rag, diretora artística do coletivo Barbi(e)turix e residente das noites Wer for Me de Paris.

O evento é organizado há 10 anos pela Interassociação Lésbica, Gay, Bi e Transsexual, que reúne cerca de 60 associações e tem por missão lutar contra a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero e pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais.

Você verá à cobertura na Zero Magazine com exclusividade.