Candidatos LGBT disputam eleições em ao menos 19 Estados

Mapeamento feito pelo Estadão em parceria com a Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) mostra que no mínimo 115 candidatos a prefeito ou vereador nas eleições deste ano são entre gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. Eles disputam em pelo menos 19 estados e 62 cidades brasileiras.

Nas eleições de 2012, 156 ativistas se candidataram a cargos públicos, mas apenas um prefeito e 14 vereadores foram eleitos. Neste ano, segundo levantamento preliminar, candidatos que são gays, lésbicas ou trans já correspondem a 74% desse número. Se forem considerados também os que se declaram simpatizantes , o total deve superar o do último pleito municipal.

A diversidade de opções LGBT nas urnas cresceu 94% nas últimas sete eleições. Em 1996, apenas seis candidatos se encaixavam em alguma das categorias.

A causa é atribuída principalmente a partidos de esquerda, que de fato são maioria entre os candidatos: 33% do PSOL, 22% do PC do B e 11% do PT. Mas há representatividade em pelo menos outras 17 siglas, incluindo as ditas mais conservadoras, como DEM, PRB, PRTB e PP – este último com um dos candidatos mais conhecidos: o ator e modelo Thammy Miranda, que pleiteia uma vaga de vereador com o slogan “Você não será mais invisível”.

Diretor-executivo do Grupo Dignidade, ONG ligada ao movimento LGBT, Toni Reis vê com bons olhos a pulverização de candidatos gays, lésbicas e trans em partidos de diferentes vertentes políticas. Diz acreditar que a questão da sexualidade não se divide entre esquerda ou direita. “Quando uma legenda mais conservadora acolhe uma candidatura LGBT, ela contribui para acostumar as pessoas à nossa realidade e provar que não é nada de outro mundo. O gay mora ao lado e a lésbica, no andar de cima”, diz ele, que também é secretário de educação da ABGLT.

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), único gay assumido na Câmara, vê a questão com cautela. Apesar de considerar “muito importante” que a população eleja representantes da comunidade LGBT nas câmaras municipais, “para defender nossos direitos e enfrentar as bancadas fundamentalistas e homofóbicas”, Wyllys considera que o eleitor deve levar em consideração não só a orientação sexual do candidato, mas sua trajetória de militância. “Há partidos que lançam um candidato gay sem nenhuma chance real de ser eleito, apenas para somar votos que irão para a legenda e terminarão elegendo outro candidato”, alerta.

Para Toni Reis, siglas mais à esquerda tendem a ser mais sensíveis à causa, mas todas, ao lançar um candidato LGBT, sinalizam a vontade política de, ao menos, discutir o tema. “Não vejo problema, até porque em cidades do interior não há muita nitidez entre o que é esquerda e o que é direita. As coligações são bem variadas”, analisa.

A ABGLT fez uma recomendação pública para que candidatos às câmaras municipais assumam o compromisso de criar frentes parlamentares relacionadas à cidadania LGBT, ao combate à aids e aos direitos humanos, penalizando a discriminação e garantindo o estado laico e o direito de uso do nome social às pessoas trans. Aos que buscam se eleger prefeitos, a associação pede a garantia de que será implementado um Plano Municipal de Promoção da Cidadania de LGBT, uma coordenadoria para o setor com orçamento próprio e um conselho municipal que trate sobre o tema.

De acordo com pesquisa realizada pelo movimento suprapartidário #VoteLGBT, 97,3% dos gays, lésbicas e trans não se sentem representados pelos políticos atualmente em exercício.