Polêmico ministro da Justiça designado por Trump promete proteger minorias

O senador conservador Jeff Sessions, escolhido por Donald Trump como próximo secretário de Justiça, prometeu nesta terça-feira proteger os direitos das minorias, especialmente dos negros, em uma sessão parlamentar interrompida por manifestantes que lhe acusam de racismo.

“Entendo profundamente a história de direitos civis e o impacto terrível que a discriminação incessante e sistemática, assim como as restrições ao direito de votar, têm tido sobre nossos irmãos e irmãs afro-americanos”, disse Sessions ao início de uma audiência de confirmação no Senado, acompanhada de perto pela mídia.

“Devemos seguir em frente e nunca para trás. Entendo as reclamações da Justiça e a igualdade da comunidade LGBT. Garantirei que os estatutos que protegem seus direitos civis e sua segurança sejam respeitados em sua totalidade”.

No começo da sessão, dois homens fantasiados com as roupas da organização racista Ku Klux Klan, com capuz e túnica branca, agradeceram ironicamente a Trump que o senador conservador esteja em posição de ser o próximo procurador-geral.

“Você não pode me prender, sou um homem branco”, disse um dos manifestantes ao ser expulso pela Polícia. A sessão foi continuamente interrompida por outros grupos.

“Não a Trump, não à KKK, não aos Estados Unidos fascistas”, gritaram outros dois homens, um deles negro, antes de serem expulsos da sala por policiais.

“Essas acusações são falsas”, disse Sessions. “Essa caricatura sobre mim em 1986 não é correta”, defendeu-se, citando seu envolvimento em vários casos de direitos civis, incluindo um em que conseguiu a condenação de um membro da KKK por assassinar um jovem negro.

A nomeação gerou resistência por sua história de acusações de racismo na década de 1980, quando era procurador federal no Alabama, antigo coração da segregação racial nos Estados Unidos.

Em 1986 ele disse que um advogado branco era uma “desgraça para sua raça” por defender clientes negros. E teria chamado um procurador negro de “boy”, termo com forte conotação racista nos Estados Unidos. Tudo isso impediu sua confirmação para o cargo de juiz federal.

Sessions abordou a polêmica negando as acusações de não ter protegido o direito ao voto de eleitores negros quando era procurador e de ter simpatia pela KKK. “Essas acusações são falsas”, afirmou.